Mar 24

Evento Mundial da Água termina destacando papel das cidades.

O que as cidades devem fazer para evitar a escassez da água. Esta foi a principal discussão do evento “Água Limpa por um mundo sustentável”, realizado na última segunda-feira (22) – Dia Mundial da Água, no Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Lactec). O evento foi promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU), Fundação Roberto Marinho e Agência Nacional de Águas (ANA) e Governo do Paraná, por meio da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos e suas autarquias: Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Instituto de Águas do Paraná (Ipáguas) e Sanepar.

Durante o evento a Agência Nacional de Águas apresentou um Atlas do Abastecimento de Água nas Regiões Metropolitanas do país. Entre as principais informações estiveram as projeções demográficas e estudos de demanda de água nas principais capitais e RMC, com diagnóstico sobre os mananciais de abastecimento, planejamento de oferta de água e situação das redes de saneamento. Ao todo foram avaliados 771 mananciais de abastecimento urbano, sendo que 67% estão localizados dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Pernambuco. O relatório afirma que os maiores aglomerados urbanos dependem da regularização das vazões dos mananciais superficiais para garantir o suprimento hídrico.

 


O diretor da Agencia Nacional de Águas, Paulo Varela, reforçou a necessidade dos estados aprovarem seus Planos de Recursos Hídricos.
“A água traz em seu DNA o trajeto que fez na bacia hidrográfica, atuando como uma integradora geográfica. A Lei de recursos hídricos traz avanços para enfrentarmos a demanda e a oferta pela água no país, mas é preciso que os estados a coloquem em prática”, destacou Varela.
Entre as medidas necessárias para melhoria da qualidade da água dos rios e nascentes foram mencionados maiores investimentos em saneamento, fiscalização e monitoramento, treinamento e capacitação de técnicos municipais e estaduais.

 


O secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Rasca Rodrigues, lembrou da aprovação do Plano Estadual de Recursos Hídricos e destacou a importância dos planos municipais, já que uma das soluções para os problemas hídricos está na ligação correta das redes de esgoto “ Ao todo, 150 municípios já apresentaram seus planos e 101 estão em execução”, menciono.

 


O Brasil, país detentor de aproximadamente 12% da água doce do mundo, ainda enfrenta problemas que atingem diretamente sua população com relação principalmente à distribuição de água, sendo que menos de 60% das moradias contam com serviço de coleta de esgoto.
“Neste Dia Mundial da Água não queremos comemorar e, sim, cobrar dos poderes públicos medidas eficazes de proteção do patrimônio hídrico. Por isso, resolvemos promover uma discussão técnica, em busca da limpeza e conservação dos usos da água”, declarou o consultor do Programa da Organização das Nações Unidas (FAO) para Agricultura e Meio Ambiente, José Roberto Borguetti.

 


A diretora da Fundação Roberto Marinho, Márcia Pinto, afirmou que a Fundação estará lançando no Paraná o Programa “Caminho das Águas”. O Programa, já desenvolvido em cinco Estados brasileiros, é levado a 400 mil crianças das escolas publicas municipais e estaduais. “Nos sentimos comprometidos com o Paraná e as suas 16 bacias hidrográficas. O Programa Caminhos das Águas também será levado às crianças paranaenses para que elas criem consciência sobre a importância da preservação dos rios e nascentes para o futuro”, anunciou.

 


Evolução do Saneamento no Paraná - Durante o evento a diretora de Meio Ambiente e Ação Social da Sanepar, Maria Arlete Rosa, falou sobre os esforços da Companhia de Saneamento do Paraná para reduzir a poluição dos rios e mananciais que abastecem a população.
“Estamos investindo R$ 292 milhões só em redes de esgoto. A cidade de Curitiba terá em 2010 93% da população beneficiada pelo tratamento de esgoto, ou seja, demos um salto brutal em busca da água limpa”, lembrou Maria Arlete. A diretora citou ainda o trabalho de educação ambiental que a Sanepar vem realizando para proteção de mananciais e também ao orientar as ligações de esgoto a rede.

 


Para o diretor-superintendente do Lactec, Luiz Malucelli, o desenvolvimento de políticas públicas em parceria com órgãos internacionais e também com a iniciativa privada é de extrema importância, tendo em vista que a proteção dos recursos hídricos tem sido uma das prioridades do Governo do Paraná.
“Daqui a 40 anos a população não terá água suficiente para consumo diário e precisamos reverter este quadro. Para que se tenha uma idéia, aqui em Curitiba são sete rios que formam a bacia e todos estão praticamente mortos. Ou seja, precisamos do apoio da sociedade e de tecnologias eficientes, e o Lactec tem atuado neste sentido”, finalizou.

Autor: LuizMalucelli.com.br
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